Fragmentos

Wednesday, December 06, 2006

A cidade das mangueiras

- Nati, já que vamos morar juntas, acho bom saber se tem alguma coisa que vc não gosta, sei lá... pra evitar mancadas.
- Ah, Carla, tem sim: eu ODEIO MANGAS - vociferei.

Isso foi motivo de piadas: ninguém poderia chupar mangas na minha frente.

****

Mangas são lindas - adoro a cor amarela viva, ou a cor de manga rosa (sic).
Mas o aroma... o aroma para alguém capricorniana e de nariz arrebitado, cf
definiu meu amigo mauro, é in-su-por-tá-vel.

****
Quando eu era a pequena Natalie, minha miniatura (Natasha, que em russo é nada
mais que Natalie pequenina) fazia questão de fazer um prato gigante com mangas,
pegar a faquinha e começar a descascar uma por uma na minha frente.
Aquele aroma impregnava tudo, tudo, tudo.
Eu quase desmaiava. Blergh, blergh!
Era a forma da vingativa Natasha me dominar.

****
- Natalie Unterstell!
- Sim.
- Nome, endereço, nome do pai e da mãe, idade...
- ....
- Vc sabe se tem alguma alergia?
- Tenho sim: à manga!

****
Nas rodinhas de criança, as menininhas incrédulas perguntavam:
- Alergia à manga? Nunca ouvi falar...Vc sente alguma coisa?
- Fico tonta, encho de bolinhas, olha essa qui...

A partir desse dia as mangas viraram inimigas.
E eu tinha coletado todas as informações sobre alergias no mundo
para justificar tal fantasia.



Acabei ingerindo vez ou outra, por engano, alguma coisinha da fruta.
Não morri. Mas mal senti o gosto.
Por sorte ou azar, fui morar em um lugar que tem um mangueira enorme atrás da minha casa.


Vez ou outra ouço um ploft!
São mangas caindo no chão do deck - 10 minutos depois, assando no sol amazônico, elas já exalam.
****

Sempre deixei crianças "mangarem" ali.
Era um favor que me faziam.
Até que um belo dia, logo depois que cheguei de viagem da Ásia, três molequinhos entraram para mangar sem nada dizer.
Acharam mais interessante que mangar assaltar a minha geladeira, que estava abarrotada de chocolates suíços, queijos, etc etc etc.
Fizeram a verdadeira festa: em meia hora, comeram desde chá verde prensado com café etíope e raiz forte, até 7 barras do autêntico chocolate lindt.
Foi uma beleza...

******
Mas as mangas e eu temos tentado estabelecer uma nova consciência de limites.
Temos conversado, encontrado alguns pontos em comum, tentado a pacificação.

Recentemente elas conspiraram a favor: em Yangoon, capital da Birmânia, eu estava sendo perseguida por um guia turístico disfarçado de vovôzinho gente fina, e sem conseguir me livrar do pentelho, apelei para a técnica do cansaço.
Ao lado de um supermercado chique, havia uma banquinha de frutas repleta de cores e cheiros tropicais. Vi mangas lindas, lindas. Comecei a bater fotos de diversos ângulos.
Assim o tiozinho não teria o que comentar ou o que me "ensinar a fazer".
Mangas são mangas, e ponto.


Bom, a banca era de 2 irmãs que me acolheram super bem.
Eu falando algumas frases em burmese, elas algumas em inglês.
Acabei me livrando do véio chato e ganhando uma parceira incrível, que
caminhou 3 horas comigo, entrando pela noite, até o local onde eu estava
hospedada. Não aceitou nada, nenhuma gratificação. Consegui apenas pagar
seu jantar.
Foi um encontro super especial - independente da comunicação verbal, tudo fluiu.

****
Bom, mas para encerrar esse capítulo, a trégua:
acabo de voltar de um lugar incrível, que superou todas as minhas expectativas em todos os critérios possíveis.
Se chama Belém, e pros desavisados de plantão é a capital da Amazônia Oriental (sim, existe uma divisão nesse sentido).
Um dos fragmentos fotográficos mais lindos da cidade são ruas de bairros centrais dominadas por filas de mangueiras altivas, que a essa época do ano promovem uma verdadeira chuva de mangas.

Passei alguns do fim de semana sentindo um cheiro ocre, estranho.
Dito e feito: eram mangas assando no porta malas do carro.

Enfim... nada que tenha me matado, me desinspirado.

Acho que temos aqui uma trégua.Sim.

Stay UP forever ! !

Gosto muito da síntese.

Especialmente pq alguém feita de fragmentos ou retalhos,
ora ou outra se depara com epifanias. E sente um prazer
indescritível, indecifrável aos olhos alheios.
A tal da "Eureca!".

Ir dos fragmentos à síntese é um percurso bacana, pq depende
do nosso esforço em fazê-lo. Na verdade o que estamos praticamos
todos os dias é o percurso inverso: desmontar as sínteses, ou o
esquema de recepção/produção de mensagens do nosso cérebro,
através da decodificação de algumas partes delas segundo um
framework conhecido.


No nosso cérebro as informações são recebidas/processadas
de forma bruta. Ou seja, o conteúdo vem bruto, não se distingue
nem tempo nem espaço.
É só a partir da abstração (?) que passamos a decodificar as
mensagens, fragmentando-as.

Quando a gente sonha, o "conteúdo produzido" não passa como um filme
mas é percebido como tal quando a gente acorda.

É como se a gente entrasse numa tela de jogo de computador e pudesse mexer na interface com um mouse. O mouse destacaria alguns objetos que a gente desejasse; eles apareceriam como pop-up. Mas nem por isso a gente não apreenderia todo o mais que estivesse inscrito naquele jogo: absolutamente tudo seria percebido pela nossa mente, de uma vez só.

O que acontece quando alguém tem uma idéia?
Acontece a decodificação de uma parte daquela mensagem ou daquele pensamento na íntegra. Desmembra-se por exemplo a ponta do iceberg...

A "troca de idéias" é importante pq serve para "tatear" os outros fragmentos que estÃo ali, postos na mensagem. Trocas de idéias ou brainstormings vão construindo sínteses (ou remontando-as).

Tuesday, December 05, 2006

Floristas




Fabrice Langdale, para Bienal



Dali, The Meditative Rose, 1958



Ensaio de Rui Faquini sobre o Cerrado, capa da agenda socioambiental 2007
http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2366

Sonora+

1. Eddie, Metropolitano
2. Porcas Borboletas, Um carinho com os dentes
1. Marco André, Beat iú
2. Manarí, Braços da Amazônia
3. Mestres da Guitarrada, Nacional
4. Suzana Flag, Fanzine
tun. Kaymakan, presente do mar
tun. Mombojó, nadadenovo
tun tun tun tun. Coletivo Rádio Cipó, Formingando na Calçada do Brasil

A gente volta a se encontrar - Ou o meio do mundo multilocal

O que os olhos não vêem , o coração inventa, já disse uma poeta curitibana.
E assim se dão as relações nessa interface plana e colorida: invenções politônicas
que se dão a partir de sínteses disparadas no timing do virtual.

A pulsação do coração, a transpiração da pele, os gritos de espanto...
Isso se sente em negras letras que aparecem no branco da tela.
Ou fica enclipsado em reticências, pausas para beber água ou atender
ao telefone, emoticons (what's that!).

Coisas que povoam imaginários - à parte da tal 'vida real'.
Mais de repente, mais que de repente saltam da tela, te perguntam: e aí minha jovem, beleza?

hahaha
Parece brincadeira.
Aquelas de versos e não de prosa.
E alguém "so open" como eu, só se permite respirar fundo e apertar o play.
Vai!

Natalie's DNA

antices

Ela tá ti analisando
Ela tá ti copiando
Ela tá ti transcrevendo
Ela - tá .

Eu nunca disse que prestava

quando o máximo quer dizer mim