Fragmentos

Friday, October 13, 2006

oooooooooooooooooooo

vinho
desde o meio dia
pra celebrar o antonio


coisa fofa...lindo lindo!!!!
estou super orgulhosa de ser sua tia!

vinho, sushi, sushi, vinho
bomba
nossa, segurando minha cabeça pra ela ficar em pé

Sunday, October 08, 2006

Riquezas ocultas e cobiça mundial

Um dos maiores desafios na abordagem da Amazônia é vê-la tal qual ela é (o que acaba levando a ver várias Amazônias). A região provoca o imaginário de todos que se interessam por ela. Os espanhóis, os primeiros europeus a formareum uma idéia completa sobre a Amazônia, batizaram-na a partir da mitologia grega. "Viram" guerreiras amazonas em combate, mesmo que inexistentes. Alexander Humboldt classificou-a de celeiro do mundo, no século 18, mesmo sem ter penetrado no núcleo amazônico. O governo português, que controlava a região, proibiu a entrada do sábio alemão. Considerava-o um espião.
Quase todos, do mais bem informado ao semi-ignorante sobre a região, acreditaram no passado e continuam a crer hoje que há riquezas ocultas na Amazônia. A convicção de que basta assegurar presença nela para usufruir descobertas no futuro, tornou a questão da posse da amazônia um tema permanente, explícita ou disfarçadamente. Investimentos são feitos nÃo para retorno imediato, com a segurança que orienta a aplicação de capital em outras regiões, mas para garantir um domínio futuro e atingir um objetivo que às vezes sequer está formulado.
Exatamento por isso, a questão da internacionalização se estabeleceu na Amazônia desde que espanhóis e porgutueses, mesmo quando permaneceram sob a mesma bandeira (a da Espanha) por 60 anos, entre os séculos 16 e 17, se digladiaram e manobraram para ocupar possessões cada vez maiores. Quando as duas coroas se separam, a corrida territorial continuou, em favor dos portugueses (que alimetaram a esperança de manter a Amazônia, mesmo quando o Brasil se tornasse independente). E prossegue até hoje, ainda quando (ou sobretudo) os lances ocorrem no âmbito diplomático, nos gabinetes. Dada a aura de lendas e mistérios que cerca a Amazônia, ninguém acredita que sua história transcorre à luz do dia. É à sombra que a máquina do tempo - e dos interesses - mais funciona na região (e, sobretudo, fora dela, nas sedes das corporações econômicas e nos centros do saber de vanguarda). Daí a profusão de teorias e denúncias, algumas conspirativas, outras nem tantos.Elas surgem e germinam, independentemente de sua consistência, porque não existe solo mais fértil para a imaginação do que o amazônico.

*Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, Belém/PA

Você pode transportar relações.

Estamos começando de fato a fazer antropologia simétrica, que é antropologizar o 'centro' e não apenas a 'periferia' de nossa cultura. O centro da nossa cultura é o estudo constitucional, é a ciência, é o cristianismo.
Então o equivalente do xamanismo ameríndio não é o neo-xamanismo californiano, ou mesmo o candomblé baiano. O equivalente funcional do xamanismo indígena é a ciência. É o cientista, é o laboratório de física de altas energias, é o acelerador de partículas. Não adianta transportar os termos da etnologia para o contexto urbano; é preciso preservar as relações. O chocalho do xamã é o acelerador de partículas de lá.



Sore a Antropologia das sociedades complexas

A Folha e a 'folha'

Acho fascinante isso de acusações de feitiçaria entre grupos indígenas do Xingu sendo ventiladas em cartas à redação da Folha. Eu acho que essa coisa de modernização, depois de pós-modernização, de globalização, não quer dizer que os índios estejam virando brancos e que não haja mais descontinuidade entre os mundos indígenas e o 'mundo global'... As diferenças não acabaram, mas agora elas se tornaram comensuráveis, coabitam no mesmo espaços: elas na verdade aumentaram seu potencial diferenciante. Assim no mesmo jornal você pode ler as platitudes político-literários do Sarney, um empresário discorrendo sobre as propriedades miraculosas da privatização, um astrofísico falando sobre o big bang - e um Kayapó acusando um Kamayurá de feitiçaria! Tudo no mesmo plano, na mesma 'folha'. Bruno Latour, em seu Jamais fomos modernos (1991), insiste com muita pertinência nesse fenômeno.

outro
fragmento
viveiros de castro
entrevista

Dessubjetivar

Sabemos que as ciências sociais, na ideologia oficial, são todas ciências provisórias, precárias, de segunda classe... Toda ciência deve se mirar no espelho da física...
O que significa isso?
Significa guiar-se pela pressuposição de que quanto menos intencionalidade se atribui ao objeto, mais se o conhece. Quanto mais se é capaz de interpretar o comportamento humano em termos, digamos, de estados energéticos de uma rede celular, e não em termos de crenças, desejos, intenções, mais se está conhecendo o comportamento. Ou seja, quanto mais eu desanimizo o mundo, mais eu o conheço.
Conhecer é desanimizar, retirar subjetividade do mundo, e idealmente de si mesmo.
Na verdade, para o materialismo científico oficial, nós ainda somos animistas, porque achamos que os seres humanos têm alma. Já não somos tão animistas quanto os índios, que acham que os animais também têm. Mas se continuarmos progredindo seremos capazes de chegar a um mundo em que não precisaremos mais desta hipótese, sequer para os seres humanos. Tudo poderá ser descrito sob a linguagem da atitude física, e não mais da atitude intencional.

O que move o pensmaento dos xamãs, que são os cientistas de lá, é o contrário.
Conhecer bem alguma coisa é ser capaz de atribuir o máximo de intencionalidade ao que se está conhecendo. Quanto mais eu sou capaz de atribuir intencionalidade a um objeto, mais eu o conheço. O bom conhecimento é aquele capaz de interpretar todos os eventos do mundo como se fosse ações, como se fossem resultado de algum tipo de intencionalidade. Para nós, explicar é reduzir a intencionalidade do conhecido. Para eles, é explicar é aprofundar a intencionalidade do conhecido, isto é, determinar o bojetivo do conhecimento como um sujeito.

"Sejamos objetivos."
Sejamos objetivos? - Não! Sejamos subjetivos, diria um xamã, ou não vamos entender nada.

...o ideal de subjetividade encontra-se na nossa civilização confinado àquilo que Levi Strauss chamava de parque natural ou reserva ecológica no interior do pensamento domesticado: a arte. O pensamento selvagem foi confinado oficialmente ao domínio da arte; fora dali, ele seria clandestino ou "alternativo". Valorizada como seja a experiência artística, ela nada tem a ver com o experimento científico: a arte é inferior à ciência como produtora de conhecimento.
Ela pode ser emocionalmente superior, mas não é epistemologicamente superior.
O xamanismo, como a arte, procede segundo o princípio da subjetivação do objeto.
Uma escultura talvez seja a metáfora material mais evidente deste processo de subjetivação do objeto. O que o xamã faz é um pouco isso: ele esculpe sujeito nas pedras, paus e bichos, ele esculpe conceitualmente uma forma humana.

(A inconstância da alma selvagem, Entrevista, Eduardo Viveiro de Castros)

Formas de pensar

...Perspectivismo:::: a concepção indígena segundo a qual o mundo é povoado de outros sujeitos ou pessoas, além dos seres humanos, e que vêem a realidade diferentemente dos seres humanos.

A proposição presente nos mitos é: os animais eram humanos e deixaram de sê-lo, a humanidade é o fundo comum da humanidade e da animalidade. Em nossa mitologia é o contrário: nós humanos éramos animais e "deixamos" de sê-lo, com a emergência da cultura etc. Para nós a condição genérica é a animalidade: 'todo mundo'é animal, só que uns são mais animais que outros, e nós somos os menos.
Nas mitologias indígenas, todo mundo é humano, apenas uns são menos humanos que os outros. Vários animais são muito distantes dos humanos, mas são todos ou quase todos, na origem, humanos, o que vai ao encontro da idéia do animismo, a de que o fundo universal da realidade é o espírito.
...uma das teses do perspectivismo é que os animais não nos vêem como humanos, mas como animais (por outro lado, eles não se vêem como animais, mas como nos vemos, isto é, como humanos).

E aliás, não devemos estranhar uma idéia como "os animais são gente". Afinal, há vários contextos importantes em nossa cultura nos quais a proposição inversa, "os seres humanos são animais", é vista como perfeitamente evidente. Não é isto que dizemos , quando falamos do ponto de vista da biologia, da zoologia etc.? E entretanto , achar que os humanos animais não te leva necessariamente a tratar teu vizinho como você trataria um boi, um badejo ou um urubu. Do mesmo modo, achar que onças são gente não significa que se um índio encontra uma onça no meio do mato ele vai necessariamente tratá-la como trata seu cunhado humano.

Quando eu digo que o ponto de vista humano é sempre o ponto de vista de referência, quero dizer que todo animal, toda espécie, todo sujeito que estiver ocupando o ponto de vista de referência se verá a si mesmo como humano - nós inclusive.

(fragmentos da Entrevista de Viveiros de Castro para a revista Sexta Feira)

Saturday, October 07, 2006

conversa entre amigas

RAFA :. diz:
é homem mesmo

Tattoo possession

Pensando sobre uma frase antiga, publicada em Droit Temporaire, me sinto obrigada a confirmar para mim mesma que
1. Tatuagem é posse
2. Usar tatuagem ---> finalidade excusa
3. Portanto, há aqueles que possuem/tem tattoos e outros que usam tatuagem
Sacaste Fritalie?

O direito de olhar pro próprio umbigo (maio de 2006; no blog DROIT TEMPORAIRE)

Essa coisa de umbiguismo me traz sempre a cabeça que o umbigo narrador acaba preso às palavras, ou às ações ou às crônicas que pretende relatar. Quero dizer que, a vida do cara acaba sendo moldada pelas narrativas que ele pretende expôr: pensar em fazer já pensando em escrever; fazer racionalizando as atitudes em palavras; acordar pensando em parágrafos, não dar tempo para que o tempo dê conta das situações mas propor justamente biópsias diárias.

Umbiguismo para quem não sabe é um adjetivo disfarçado de substantivo, que se refere a autores de blogs que não disfarçam nem um pouco que ficção e "vida real" se misturam, se completam, se fundem. A que eu conheço mais é a Clarah Averbuck, que assina a TPM e lembrei dela porque dias atrás, aliás num vôo da VARIG, assisti a um documentário GNT (acho) sobre rock e ela foi uma das comentaristas sobre a "atitude Rolling Stones". Só pra não perder o fio da meada, ela disse que os caras já deveriam ter morrido, na cena rock é pra morrer cedo. Algo assim que na hora me pareceu interessante mas pensando bem pode ser meio idiota. Mas enfim, a mulher pública me lembra a geração beat, apesar de eu não achar que por isso vale a pena pagar pau, esbanjar elogios, virar fã. Ela é uma mulher, escreve, demonstra personalidade, ponto.

Uma coisa que me irrita é essa tal de demonstraçào de personalidade.
Cada vez mais me divirto ao abrir o orkut e ver meninas mais novinhas por exemplo
legendarem suas fotos de album com "nós juntas somos atitude!", ou ver algum testimonial dizendo "você é uma menina de personalidade"... essas coisas bobinhas que nunca vão deixar de existir, mas quando repetidas centenas de vezes passam a irritar em algum grau.. Afinal, o que é personalidade, ou ter personalidade? É dizer o que pensa? E se vc pensa só bostas? E se pra alguém ter personalidade é simplesmente ter acessórios fortes na vida, tipo Fernanda Young?
Pra mim, e aí eu concordo com a Clarah Averbuck no bate-papo em que participou na revista Trópicos quando diz que a Fernanda Young é mulher de publicitário, tatuagens, um apartamento em Higienópolis, péssima escritora. Amar a Madonna diz alguma coisa? Sei lá, pra mim começar um texto falando à "mulherzinha" que há em mim, ou em vc, ou nela, nÃo quer dizer nada....sinceramente. Usar tatuagens para começar é ridículo: usa para quê?

Mas enfim, essa falta de complexidade não me comove... gente cheia de atitude (?) e vazia em densidade (ou seja lá qual o antônimo de denso)...

Enfim, comecei querendo dizer que há prazer em escrever. Que há um sentido terapêutico nisso.
E é por isso que estou usando essa ferramenta aqui, o blog. Quero escrever pq preciso escrever, me pediram para escrever: devo manter diários sobre sensações, pensamentos; ficar atenta à mudanças no meu comportamento;a acompanhar altos e baixos...
Não interesse o porque nem o para quem. No fundo isso pra mim significa disputar um direito com a inércia. Sei lá, apesar de eu estar aqui falando em primeira pessoa, escrevo para terceiras pessoas, que talvez sejam ou estejam em mim mesma. Redijo as "coisas" imaginando furtivamente que alguém está lendo, que há seres ou um ser prestando atenção nisso daqui.

Quem tem interesse em ler não vai acessar isso aqui, até que eu sistematize e encaminhe, provavelmente em meio restrito e formal.
Até que ponto escrever já não é um esforço enorme? O meu limite de repressÃo pela inércia já foi bem alargado, pelo simples fato de eu me permitir, digamos assim, abrir esse espaço e dizer sei lá pra quem que eu tô aqui, tentando racionalizar meu dia-a-dia, ou tentando acompanhar-me com alguma cronologia.

Mas não dispenso de forma alguma a noção de que escrever é de alguma forma se prender à escrita, ao hábito de escrever, à necessidade de palavrear o que vivo, de vivem em função de parágrafos. Para mim é, nesse momento. E eu tenho que me esforçar justamente para tentar no meio desse condicionamento pela palavra, me libertar da inércia que me domina.

Venho vivendo sem saber o que é autoconhecimento.
Nego isso. Coisa de boutique, de gurus indianos, de gente que acredita em energias cósmicas, que lê Profecia Celestina, que para citar livros no orkut descreve a prateleira ridícula de best sellers estilo Dan Brown misturada a livros de faculdade e I love Feng Chui, de gente que se acha de atitude porque responde de forma dura, blá blá blá.
Autoconhecimento é uma coisa esquisita. Nego. Repudio.

Porém me vejo cada vez mais necessitada de ...
entender que construção social sou eu.

PErguntas adolescentistas como quem sou eu? para onde vou? o que quero? que já foram alimento de muitas crises existencias anos atrás, são agora refeitas a mim por mim mesma, já que quando me olho no espelho não sei direito o que quero, porque quero, se quero, quando quero. Esotu à mercê... me sinto assim...

Posso dizer que escrever agora vai ganhar esse sentido... o de citar menos, investir mais em conteúdos "profundos", digamos assim, que podem me ajudar a ganhar foco.
Apesar do interesse frenético em conhecer coisas novas, ficar sabendo de variedades inúmeros, comentar sobre tudo, ganhar novas sinapses; tenho a nítida sensaçào de que estou construída sobre fragmentos ... talvez destroços.

Esse orkut por exemplo me diz muito sobre mim.. sobre esta fase minha.
Description, movies, books... tudo tão cool, tão carismático, tão anti-crise...
sei lá, isso me parece uma coisa morna demais, austera demais.

Tá, vou confessar, me sinto uma cópia.
uma cópia de frases que vi por aí, de letras de músicas que gosto, de autores de livros que me interessaram, de personagens ou musas inspiradoras de quadros que me foram apresentados ou comentados. me sinto uma colcha de retalhos pinçados em diferentes mundos e momentos.

Declaração de princípios (abril de 2006, transtorno bipolar)

Como cópia, vou me permitir copiar o exercício que um brother aí fez.
Ele que me perdoe mas como todos temos o direito de fazer uma lista de pessoas abomináveis ou incomentáveis, aqui eu exercerei o meu.
Serve como uma declaração de princípios. Oooooooo!

A dele é :::Hebe Camargo, Ivete Sangalo, Athaíde Patreze, Marcos Mion, Vampeta, Wanderley Luxemburgo, Lair Ribeiro, Núbia de Oliveira, Alexandre Frota, Eri Johnson, Roberto Cabrini, Maluf, Lula, Popó, Gugú, Sílvio Santos, Maurício Manieri, Nélida Piñon, Edir Macedo, Netinho, Ratinho, Oliver Stone, Sylvester Stallone, as Ninjas todas, Fernanda Torres, Miguel Falabella, Luciano Huck, Otávio Mesquita, Alicinha Cavalcanti, Narcisa Tamborindeguy - e você, aí, atrás da cortina.

Ao começar a escrever a minha, passei dos arquétipos disponíveis na vida social pública (las personalittés, digamos assim) a gente de carne e osso que eu abomino de verdade.
Aí saquei que os arquétipos sim podem me dar princípios; e que quando tento eleger princípios a partir de pessoas da minha órbita, acabo sendo execrada. Meu namorado por exemplo abomina a idéia de excluir qualquer pessoa da vida dele.
Pois bem, uma frase de Cioran reflete o que eu penso: "O direito de suprimir todos aqueles que nos desagradam deveria figurar em primeiro lugar na constituição da Cidade ideal." ( droit de supprimer tous ceux qui nous agacent devrait figurer en première place dans la constitution de la Cité idéale.)(no livro "Do Inconveniente de ter Nascido8")
Pq eu preciso anular o que penso, simular tranquilidades , dar uma espiritista que nÃo se abala com nada? Desculpa, me abalo sim. Não sei se não se abalar é mais saudável do que se abalar...
De fato eu já me fudi muito ao me abalar com seres abomináveis, pela simples presença deles. Mas ao mesmo tempo poderiam ser fontes de diversão caso além de abominar eu conseguisse jogar sobre eles o que tenho de mais cruel: a capacidade gélida de ignorar pessoas e com isso as desestabilizar.

A minha lista de arquétipos começa com :::
Xuxa - apesar de eu ter sito fãzoca dela quando criança, ganhado todos os LPs e sandalinhas, ela é tosquésima. Declaro-me contra a encenação de vida que ela promove na Caras, na Contigo, no Carnaval de Salvador, no Faustão, em tudo... Xuxa, vc já devia ter morrido, e nÃo os Rolling Stones.
Bono Vox - eu achava ele bacana, um cara que se interessa por algumas coisas que me nteressam também... e em música eu curtia a veia protest do U2, tipo sunday bloody sunday mas porra, virou o inverso. Acho que o cara tá na balada agora, na balada de falar de África e América Latina e problemas com desenvolvimento por pura diversão... E nem na música ele consegue expressar isso mais... Virar mainstream dá nisso.