remexendo meus arquivos de viagem, encontro palavras escritas em birmanês por um australiano que me ensinou as poucas, pero muito úteis, frases na língua mais falada naquele país
Terminei de ler the piano tuning, sobre os chan, e tive orgasmos óctuplos ao me deparar com uma escrita tão fluída e sensível sobre a birmânia
Mais do que katha de george orwell, mae lwin de daniel mason é uma viagem acompanhada de trilha sonora, que nos leva na bagagem de ferramentas de dr drake desde london até o território chan do século 19
Fiquei fascinada.. e ao mesmo tempo curiosa sobre o autor: um cara jovem, que escreveu um romance de estréia belíssimo e contextualizado em cima daquilo que viveu em 1 ano na fronteira do antigo sião e do estado chan, estudando doenças tropicais (malária, principalmente, que como retrata no livro era inicialmente transmitida através dos ares tropicais, segundo os europeus, por isso o nome em italiano "mal aria"; antes disso os indianos já apontavam que o transmissor da doença era um mosquito...). Atualmente vive na califórnia e estuda medicina (já era graduado em biologia, por harvard)
essa curiosidade não é a toa
as vezes bate essa ventania... com pensamentos esdrúxulos sobre o efeito das minhas ações..
digo,
volta e meia me pego querendo atuar de uma forma mais diretamente identificável como 'útil' junto àqueles com os quais convivo...
Eu sou a mulher do dinheiro, o novo tipo de regatão, a administradora-economista-assessora...
isso me deixa meio sem saco, sem jeito, sem papo... pq o que me dá tesão é ver que o que faço tá na pauta do dia
certa vez abri essa conversa com um grupo de médicos que esteve aqui em gabriel
expedicionários
são caras bem sucedidos, que a uma altura da vida resolveram embarcar em expedições em que oferecem tratamentos, cirurgias, óculos, etc
nao que na amazonia nao se veja política de saúde
aliás, eu vejo MUITO
vejo uma porrada de profissionais, estruturas, negociações...
gente que trabalha duro e todos os dias do ano pra fazer as coisas acontecerem
e que se anima em pactuar com parcerias interessantes, desde que analisados critérios éticos em relaçào ao propósito da atuação e que a contraparte saque que ela é UMA parte de uma história longa de trabalho árduo em campo
pois bem, falei ao doutor ricardo que eu me sentia uma bosta, literalmente, sendo uma pirralha formada em business pela super-ultra-mega-wow fundacao getulio vargas se a pauta da economia só interessava em momentos específicos, apesar de todo mundo querer grana
Ele disse que cada um tem uma função no mundo
Nada muito profundo, pero alinhado com o que me disse um brother que eu respeito PRA CARALHO
Esse brother esteve no paquistão assim que aquele terremoto do último ano detonou uma certa área
estava de banda pelo oriente médio-ásia e assim que soube da tragédia se voluntariou para colaborar com ações lá
também abri essa conversa com ele, que me disse que mais do que médicos, o que mais se sentia falta naquela situaçào era de "burocratas-estrategistas competentes", capazes de fazer a grana girar e a sociedade se mover....
pois bem
me deixei ser o que eu sou, ainda que o rótulo que eu carregue seja apenas uma caricatura bizarra daquilo que eu enxergo como interessante
Pq no fundo eu faço trocentas coisas novas, geralmente sem um acúmulo de experiencias naquele tópico específico, e tô experimentado elas como se fosse uma conoisseur...
Acho que engano bem, pq os outros aplaudem
Os que nao aplaudem acabam se convencendo, mesmo assim sei bem quais os limites, as furadas...
Essa bravura nao é a toa, nem desmiolada... vou fazendo aquilo que sinto ser capaz de fazer, ainda que sem uma "supervisão" e sem expertise acumulado
vou fazendo e vivendo e entendendo e achando que posso e que sei...